quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Cronograma Natural.

Há algum tempo estava conversando com alguns amigos sobre a disposição e função dos dias da semana na vida de cada pessoa. Dessa conversa conclui que todo mundo possui um pequeno cronograma que possibilita e/ou impossibilita ações peculiares do cotidiano. Ou seja, cada dia tem uma tendência, e muitas vezes há uma unanimidade quando se comparam os cronogramas.
O meu não falha nunca, cada dia tem uma função natural.

Domingo de Tédio: não entendo como doze horas (média de tempo que passo acordada no domingo) podem durar tanto e serem tão chatas e mal utilizadas.

Segunda do Desânimo: e da preguiça, e da lamentação, e de milhares de coisas pra fazer e não conseguir concluir nenhuma.

Terça do Trabalho: tudo que deveria ter sido feito na segunda mas o relógio biológico decidiu fazer só agora.

Quarta do Lazer: nada exorbitante. Um filme, um seriado, um livro, uma gordice.

Quinta do Amor: todas as coisas felizes que podem acontecer.

Sexta implícita: é só saber ler com malícia.

Sábado Vale Tudo: se há um dia em que você pode fazer o quiser, é este.



quarta-feira, 10 de novembro de 2010

"Cry Baby"

Eu sou uma pessoa que costuma chorar com muita facilidade. Qualquer situação que desperte uma emoção mais forte me faz romper em lágrimas. E quando eu digo uma emoção mais forte eu me refiro a qualquer emoção existente só que numa dose mais carregada.
Sinceramente lhes digo que não gosto muito dessa característica pois ela reforça uma idéia errada que muitas pessoas cultivam: chorar é para os fracos.
Estou me usando como exemplo aqui pois não há ninguém que eu conheça mais do que eu mesma, mas quero englobar todas as pessoas que são julgadas pela atividade de suas glândulas lacrimosas.
Parte considerável da população mundial faz um link direto entre emoção e fraqueza, emoção e imbecilidade. Eu não entendo muito bem essa linha de pensamento, mas meu palpite é que essa porcentagem de pessoas acredita que apenas aqueles totalmente racionais são capazes de fazer qualquer coisa de forma correta. Ou seja, se você chora assistindo "Titanic" você não pode se alistar nas Forças Armadas.
Demonstração de sentimentos não significa fraqueza, na verdade por vezes requer muita força. O importante é não exagerar, é necessário saber usar seu lado passional junto com o racional. Mesmo que um aflore mais que o outro, eles não podem se excluir.
Portanto, o que lhes digo é que existem pessoas que se emocionam facilmente, pessoas que se emocionam de forma esporádica, pessoas que raramente se emocionam, e existem pessoas que dizem não se emocionarem com nada. Essas últimas mentem.  

Sessão Neurose 05

Hoje vou lhes contar uma neurose que ultrapassa os limites da generosidade: Excesso de comida.


Um dos círculos sociais que frequento é composto por aproximadamente vinte pessoas. Uma dessas pessoas, do sexo feminino, é uma adoradora de festas. Toda e qualquer ocasião é um motivo pra uma grande reunião com tudo o que tem direito. Sem problemas, uma festa é sempre bem-vinda. Entretanto, é aí que nasce o problema: ela simplesmente não consegue conciliar o número de convidados com a quantidade de alimento a ser servido. Não pensem vocês que é um erro comum! Não não, pois ela comete o mesmo erro há anos, sabendo os hábitos alimentares de seus convidados e comprando excessos fenomenais de comida!
Esta peculiaridade se confirmou na última reunião que fizemos. Das vinte pessoas habituais, dez não foram, e essa minha conhecida "preparou" nada mais nada menos do que: dois foundues de queijo grandes, uma panela média de creme de palmito, uma porção família de salada de maionese, duas porções grandes de sanduíches com patê de gorgonzola, e dois pães de 40 cm cada, recheados respectivamente de peito de frango desfiado e um misto de queijo, presunto etc. E de sobremesa, docinhos diversos e um bolo de morango com chocolate de 2,5 Kg.

Esta festa aconteceu no sábado passado. Comerei sobras até o próximo domingo.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Sessão Neurose 04

Vamos a neurose premiada dessa semana: Pressa pra chegar a lugar nenhum.


Se existe alguma coisa que me atormenta é gente desesperada. Infelizmente muitas pessoas assim são próximas à mim.
Imaginem certa Dona Fulana cujos os hábitos se resumem em limpar e organizar a casa, percorrer lojas e mercados em busca do menor preço, ver um ou dois programas de TV, comer e dormir. Tudo no período entre 05h e 20h. Típica vida de aposentado, certo? Errado! Pois nossa amiga Dona Fulana faz tudo isso de forma tão frenética e desesperada usando a desculpa que não tem tempo. Agora lhe pergunto: não tem tempo pra que?!
Quando acontece desse ser humano sair para alguma atividade de lazer, não há aproveitamento, pois ele corre na frente de tudo e de todos e dentro de 20 minutos está ansiando em ir pra casa para fazer exatamente nada.
Sinto muito, mas isso pra mim é igual a Ponte Torta de Jundiaí: não leva nada a lugar nenhum.

Obs:  A menção a Ponte Torta não quer dizer que não gosto dela, pelo contrário, fiquei feliz quando resolveram tombá-la como patrimônio histórico. 

Saudosismo litorâneo

No último feriado fiz uma viagem para a Ilha do Mel no Paraná. Lugar muito bonito, ótimo para parar um pouco com tudo e relaxar. Enquanto estava lá, andando pelo meio do mato (Lost feelings) e visualizando a paisagem maravilhosa, retomei um pensamento antigo: praia e saudosismo/nostalgia são sinônimos.
É um pensamento óbvio e até contestável, afinal em qualquer momento que você está relaxado certas lembranças surgem na sua cabeça causando o mesmo efeito nostálgico. Mas o que acontece na praia é diferente, a forma com que você se sente é maior do que qualquer saudade, é como reviver aqueles bons momentos passados ali enquanto você olha o mar.
A parte difícil é voltar pra realidade, deixar pra trás aquela sensação enriquecedora e retomar a vida de onde ela parou. Mas é necessário, senão todas as epifanias obtidas nesse break não vão servir de nada.
Penso que todo instante é um recomeço, uma oportunidade. Usar alguns desses instantes para aprender de novo com aquilo que você já viveu é uma dádiva.

"A gente só não inventa a dor
 A gente que enfrenta o mal
 Quando a gente fica em frente ao mar
 A gente se sente melhor."
                                     Nando Reis